sábado, 16 de julho de 2011

dos meus poetas preferidos...

Eu era criança e costumava passar as tardes na livraria do meu tio, na Rua da Praia, sempre que ia a Porto Alegre, lendo gibis - da Mafalda (do Quino) e Asterix (Goscinny e Uderzo) - e ouvindo os adultos que lá se encontravam aos finais de tarde.
Guardo a lembrança do velhinho simpático que me pedia pra buscar o que ele insistia em chamar de 'água com bolinhas' (água mineral com gás) na lancheria do Matheus, algumas portas ao lado.
Anos depois, já adolescente, descobri seu nome: Mário Quintana

"Mario Miranda Quintana - Natural do Alegrete, RS. É o poeta das coisas simples. Despreocupado em relação à crítica, fazia poesia porque "sentia necessidade", segundo suas próprias palavras. Em 1928 ingressou no jornal O Estado do Rio Grande. Após ter participado da Revolução de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, retornando em 1936 para a Livraria do Globo, em Porto Alegre, onde trabalhou sob a direção de Erico Verissimo. Traduziu Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant. Em sua poesia há um constante travo de pessimismo e muito de ternura por um mundo que, parece, lhe é adverso. Obras: A Rua dos Cataventos (1940), Canções (1945), Sapato Florido (1947), poemas em prosa; Espelho Mágico (1948), O Aprendiz de Feiticeiro (1950). Em 1962 reuniram-se suas obras em um único volume, sob o título Poesias. Outras obras: Pé de Pilão (1968), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), Nova Antologia Poética (1982), Batalhão das Letras (1984)."

Quintana morreu aos 87 anos em 5 de maio de 1994, na cidade de Porto Alegre.
A morte o obrigou a parar de "poetar", mas sua poesia permanece viva em minha alma.

Eu Escrevi Um Poema Triste
Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

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